Você sabe o que é risco?

Segundo a NBR ISO 31000, “risco é um efeito de incerteza nos objetivos. Um efeito é um desvio em relação ao esperado. Pode ser positivo, negativo ou ambos e pode abordar, criar ou resultar em oportunidades e ameaças. Objetivos podem possuir diferentes aspectos e categorias e podem ser aplicados em diferentes níveis”.

Conforme o PMBOK, há duas definições para risco:

– Risco individual do projeto: é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará um efeito positivo ou negativo em um ou mais objetivos do projeto.

– Risco geral do projeto: é o efeito da incerteza do projeto no seu todo, decorrente de todas as fontes de incerteza, incluindo riscos individuais, representando a exposição das partes interessadas as implicações de variações no resultado do projeto, sejam positivas ou negativas.

Segue um vídeo com a Isabella Brito, Secretária de Recursos Materiais, que ilustra como esses conceitos são implementados na área de contratação do Tribunal.

<Inserir o vídeo da Isabella Brito>

A partir do ambiente do TJDFT, quais os riscos podem afetar de forma determinante sua tomada de decisão?

Na sociedade atual em que o acesso à informação é muito fácil e a rapidez em que um fato se torna informação é necessário estar atento ao risco gerado quanto à qualidade e a interpretação dela. Caso você esteja tomando uma decisão baseada em informações, há o risco de que elas possam ser apresentadas de forma inadequadas e com má qualidade. Além disso, você pode interpretar uma informação de maneira equivocada e todo seu processo decisório rumar para o erro.

Portanto, faz-se necessário que você analise mais de uma fonte de informação, verificar a opinião de especialistas e consultar casos semelhantes ao estudado. Dessa forma você busca mitigar os riscos que uma determinada informação equivocada ou má interpretada possa provocar em sua tomada de decisão.

Para Daniel Kahneman, vencedor do prêmio Nobel de economia em 2012, a primeira regra para um bom processo decisório é você estar menos seguro, com relação a tudo. O excesso de confiança é a característica que ele eliminaria em primeiro lugar para se tomar uma boa decisão. Seu nível de confiança dever estar alinhado à chance de você estar correto. Perceba então que nem sempre está correto, mas é perfeitamente viável deixar de ser excessivamente confiante.

Ainda sobre o ambiente do TJDFT, se encontram alguns riscos sempre possíveis de ocorrerem. Tais como: mudança no ambiente não antecipada, conflito de interesses entre indivíduos decisores e TJDFT, falta de engajamento dos executores da decisão e falta de competência do TJDFT na execução. Antes de se pensar em como mitigar esses riscos você precisa entender como funciona um processo de tomada de decisão.

Constantemente você toma decisões, sejam simples como escolher um sapato ou mais complexas como selecionar um ativo financeiro para investir seu dinheiro. No entanto, não se dedica muito tempo ao esforço de decidir e então se reage de forma instintiva e emocional, o que nem sempre é ruim.

Há momentos em que uma decisão rápida não é ideal, pois a forma de pensar mais lenta leva você a reduzir erros, evitar riscos, prever mudanças no ambiente e antecipar reações de partes interessadas. Dessa forma, racionalizar, sistematizar e instrumentalizar o processo decisório pode ajudar você a decidir de forma mais eficiente.

Você deve considerar não apenas o estabelecimento de um processo mais racional de tomada de decisões, mas também a implementações de práticas e rotinas que reduzam as interferências nessa racionalidade. Ou seja, uma organização que queira decidir de forma eficiente deve lançar mão de processos gerenciais, bem como estabelecer uma cultura organizacional pensada com essa finalidade.

Risco: falta de informações adequadas e de qualidade

A informação é um fator de grande importância para a gestão organizacional, afinal é um recurso indispensável nos contextos internos e externos de qualquer organização. Não é mais possível administrar de forma responsável sem um fluxo de informações eficaz e eficiente. Quanto mais confiável, oportuna e de fluxo contínuo forem estas informações, existirá mais coesão ao se tomar uma decisão.

A informações é um recurso valioso que provoca repercussão em todos os níveis organizacionais. Desde o nível estratégico, que é quando uma ação é passível de aumentar a coerência entre a organização e o meio envolvente, o que gera o aumento da eficácia no cumprimento da missão organizacional; até os níveis operacional e administrativo, quando os efeitos são traduzidos em aumento da eficiência organizacional em termos de opções estratégicas.

Para mitigar esse risco é necessário que exista o reconhecimento da importância de um correto fluxo de informações e do aproveitamento das oportunidades oferecidas pela tecnologia para orientarem os problemas que têm origem justamente na falta de informações adequadas.

Risco: interpretação equivocada das informações

Interpretar equivocadamente uma informação é semelhante a se cometer um erro. A partir de uma informação má interpretada você pode seguir um caminho errado que não te levará à melhor tomada de decisão. Há consequências nisso.

Uma lei trabalhista interpretada de maneira errada pode gerar uma relação entre empregador e empregado desigual. Um explorará o outro. Da mesma forma, um juiz que não interpreta uma lei criminal da forma correta pode proferir uma sentença injusta e prejudicar a vida do réu.

O estudo aprofundado do tema que se quer decidir contribui para a mitigação desse risco, bem como a consulta de outras pessoas com experiência no tema ajudarão você a ter mais embasamento para a sua tomada de decisão.

Risco: mudanças no ambiente não são antecipadas

O mundo que vivemos é dinâmico e rápido. Não há mais espaço para modelo de trabalho estático. No entanto muitas equipes ainda são resistentes à mudanças ou não sabem como conduzi-las com segurança.

Para mitigar esse risco é bom aplicar um modelo de gestão de mudanças com o objetivo de tornar as tomadas de decisões menos caóticas.

A gestão de mudanças organizacionais é um conjunto de práticas, processos e ferramentas que têm o objetivo de preparar a organização e seus stakeholders para as mudanças. Ela pode acontecer em diferentes aspectos da organização.

É bom lembrar que toda mudança gera impacto e todo impacto tem suas consequências. Portanto, o processo de gestão de mudanças garantirá que todos os envolvidos estejam realmente prontos para mudar.

Para se fazer uma boa gestão de mudanças é importante entender as partes interessadas, elaborar estratégias de engajamento (gerado a partir da comunicação) e de capacitação (preparar as pessoas para as atividades após a mudança).

Risco: conflito de interesses entre indivíduos decisores e TJDFT

Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o conceito de conflito de interesse é “a situação gerada pelo confronto entre interesses públicos e privados, que possa comprometer o interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública”.

É bom deixar claro que o confronto entre o interesse público e o privado não configura efetivamente uma situação de conflito. Para que isso ocorra, faz-se necessário que o confronto cause prejuízo para o interesse coletivo ou para o desempenho da função pública.

O capítulo VIII do Regimento Interno do TJDFT apresenta em seus artigos 32 e 33 o mesmo conceito do conflito de interesse descrito acima e como se deve proceder caso seja identificado este tipo de situação.

Uma das formas de se mitigar esse risco é o estabelecimento de uma relação de confiança entre indivíduos decisores e a Alta Administração do TJDFT. Pois seria utópico a utilização de um sistema de monitoramento e controle blindado à qualquer ato de oportunismo. Por isso a importância de se estabelecer e comunicar a conduta dos servidores esperada por este Tribunal.

Risco: falta de competência do TJDFT na execução

O ato administrativo apenas é válido caso o sujeito que o pratica esteja amparado juridicamente para fazê-lo. Da mesma forma, competente é a autoridade que possui investidura legal para praticar o ato e exercer uma função.

A competência funcional, conforme o direito administrativo, é a medida do poder para a prática de determinado ato ou até mesmo a omissão em nome do Estado. A competência não se restringe apenas a isso, mas também aos direitos e às faculdades dos agentes públicos. Somente a partir de uma verificação da competência específica contida no conjunto das leis e do ato ou da omissão do agente público que se pode avaliar se ele está ou não agindo de modo legal.

É importante que antes de se tomar uma decisão importante se verifique no ordenamento jurídico se ela realmente compete ao agente público ou ao TJDFT. Isso evitará um ato manifestamente ilegal que trará consequências a quem o produziu. Dessa forma se mitiga esse risco.

Risco: falta de engajamento dos executores da decisão

O engajamento está diretamente ligado a motivação dos executores da decisão. Ele tem impacto nos resultados e é um dos principais responsáveis pelo sucesso. É importante informar para você que existe diferença entre engajamento e satisfação no trabalho. A satisfação está ligada ao que se recebe financeiramente e a relação com o que é esperado do TJDFT. O engajamento vai além, é o sentimento de pertencimento e o vínculo criado pelo executor com suas atividades e o Tribunal.

A falta de engajamento é facilmente identificada, baixa produtividade e falta de criatividade são os sintomas mais comuns. Esses dois comportamentos funcionam como uma resposta para a desmotivação no ambiente de trabalho. Os líderes devem estar constantemente atentos, pois identificá-los é parte principal para a criação do engajamento.

Para que a falta de engajamento não ocorra o executor da decisão deve entender qual é a relação estabelecida entre ele e o Tribunal. O gestor deve entender que ele não é apenas um número e que está ali apenas para gerar um resultado final. São seres humanos e buscam ser tratados como tal.

Qualidade de vida, um bom ambiente de trabalho, materiais de escritórios que auxiliem na resolução das tarefas, gestão de pessoas e tecnologia estável para atender as demandas são ações que ao serem colocadas em prática ajudam a manter os executores das decisões engajados.