UNIDADE IV

APRENDENDO JUNTO

Não basta aprender sozinho. Quando trabalhamos em grupo, toda a equipe deve aprender junto. Nessa unidade, identificaremos como é gerado o aprendizado da organização e apresentaremos algumas ferramentas que podem colaborar na gestão desse conhecimento.

APRENDIZAGEM INDIVIDUAL X APRENDIZAGEM EM GRUPO

Quantas vezes você e seus colegas/chefia tiveram uma opinião diferente sobre como desenvolver um trabalho, quais rumos tomar, quais ferramentas adotar? Em uma equipe com pessoas diversas, essas discordâncias são muito naturais e até desejáveis. É, no mínimo, um sinal de que todos estão comprometidos com o resultado do trabalho e desejam fazer o melhor possível, ainda que à sua maneira. Combinar convicções e encontrar um meio termo que atenda às expectativas de todos é sempre a melhor solução, mas nem sempre algo fácil de se alcançar.

Em uma situação como essa percebemos que, quando inseridos em um ambiente organizacional, nosso conhecimento individual não é suficiente. É preciso aprender junto, compartilhar princípios e saberes, beber da mesma fonte e até conhecer novas, de modo que, na medida em que todos compreendam os pilares de uma ideia, ela seja melhor assimilada e aplicada.

A verdade é que todos e cada um, individualmente, tem algo a agregar, coerente com sua perspectiva e experiência, e quando nos abrimos a esses diferentes olhares, percebemos como distintos pontos de vista e áreas de conhecimento podem contribuir para coisas que sequer imaginamos. É o que chamamos de visão multidisciplinar.

ESTOQUE DE CONHECIMENTO

Ninguém sabe tudo e todos temos algo a aprender. Saber compartilhar conhecimentos e aprender com o outro só potencializa nossas capacidades e saberes. Veja rapidamente nesse vídeo o que o professor Mário Sérgio Cortella tem a dizer sobre o tema.

Estudos sobre aprendizagem avistam nas interações sociais grandes possibilidades de desenvolvimento. Por meio delas, vislumbram-se caminhos para que os indivíduos adquiram, conheçam e construam conhecimentos, mudando a si e aos outros em termos de habilidades, conhecimentos e atitudes, a partir do encontro com as diferenças de concepções; discussões de idéias e visões pessoais; contato com experiências e vivências diferenciadas. Estes processos estariam na base da aprendizagem organizacional, sendo condição necessária ao seu desenvolvimento.

(Honório & de Sá, 2010)

(…) o aprendizado organizacional se dá primeiramente pelo indivíduo, pela sua busca incessante ao conhecimento e disposição de obter e compartilhar, tendo uma visão de equipe e prezando pelo bom relacionamento, e assim, consequentemente teremos uma ótima equipe, com bons subsídios visando gerar uma organização que aprende.

(Honório & de Sá, 2010)

A aprendizagem pode ocorrer em qualquer local e situação. A seguir, listamos alguns contextos em que é comum que ocorram aprendizagens sem que estejamos plenamente conscientes disso:

  • Reuniões
  • Aplicativos de mensagens (Whatsapp, Telegram)
  • Redes sociais (Facebook, Instagram)
  • Discussões para resoluções de problemas
  • Experimentação e abertura ao erro
  • Compartilhamento de insights
  • Ferramentas de gestão de projetos (Asana, Slack, Trello)

Na medida em que o aprendizado de cada membro é compartilhado pela equipe e vai se formando um modelo mental coletivo, chegamos ao que chamamos deaprendizagem da organização”. A aprendizagem organizacional, portanto, é o processo de criar, reter e transferir conhecimento dentro de uma organização.

POR QUE COMPARTILHAR CONHECIMENTO?

Agora que já sabemos como o aprendizado individual pode virar o aprendizado da organização, há um outro ponto sobre o qual devemos refletir: a gestão das informações e do conhecimento. O vídeo a seguir ilustra uma situação que mostra a relevância desse processo.

GESTÃO DO CONHECIMENTO

Embora, dentro de um equipe, cada colaborador seja responsável por uma tarefa específica, e até por um saber específico, precisamos estar sempre preparados para eventualidades. Do ponto de vista do usuário, não é razoável que a ausência de uma pessoa afete os serviços da unidade. Assim, quanto mais as informações e conhecimentos estiverem difundidos dentro de uma equipe, menos frequentes serão as situações imprevistas.

Gestão do conhecimento é uma área que se ocupa exatamente disso: métodos e práticas para adquirir, disseminar, utilizar, preservar conhecimento relevante de forma consistente, mantendo e gerando valor para a organização.

Fonte: Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento

ORGANIZANDO OS CONHECIMENTOS DA SUA UNIDADE

De acordo com a Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, existem inúmeras ferramentas institucionais de gestão do conhecimento. Assim sendo, o ponto de partida dos programas que têm essa finalidade deve ser a organização do conhecimento registrado em um repositório institucional.

No Tribunal, muitas unidades têm sua própria página na intranet, local em que tornam acessíveis todas as informações pelas quais são responsáveis. Por exemplo, aqueles citados na Unidade III: o Banco de Sentenças, Portal da Escola, Revista da Jurisprudência, entre outros. Podemos entender que os repositórios mencionados dizem respeito ao conhecimento explícito.

No que se refere ao conhecimento tácito, as ferramentas a seguir são algumas das possibilidades recorrentemente escolhidas, cujo denominador comum é o processo de registrar o conhecimento tácito para torná-lo explícito e possibilitar o seu compartilhamento:

  • Comunidades de práticas
  • Gestão das lições aprendidas
  • Storytelling
  • Wikipedia setorial
  • Portais e redes sociais corporativas
  • Coletâneas de dicas;
  • Bancos de boas práticas
  • Ferramentas de gestão de projetos (Asana, Slack, Trello)
  • Lista de verificações
  • Registro de rotinas
  • Elaboração de modelos
  • Mapas mentais
  • Fóruns de discussão
  • Comunidades de aprendizagem

SIMPLICIDADE

Como se vê, o compartilhamento de informações e conhecimentos não precisa ser, necessariamente, uma coisa complexa e altamente estruturada. O mais importante é que seja acessível e permita a interação. Em tempos de processos rápidos, de constantes mudanças e inovação, período em que novas aprendizagens são frequentemente requeridas, essa prática se torna ainda mais relevante.

Diante disso, não espere alguém mudar de setor ou se aposentar para começar a registrar esses conhecimentos. Aproveite o cenário atual, em que as interações pessoais foram reduzidas e que boa parte da comunicação, antes falada, está sendo escrita, e estruture os conhecimentos da sua unidade. Registre-os, organize-os, agrupe-os, torne-os acessíveis e proporcione a si mesmo e a seus colegas uma produtividade mais eficaz e eficiente.

Acesse o conteúdo ao lado e veja como o “simplificar” contribui para o “concretizar”.

Houve um período em que precisávamos fazer longas pesquisas para colher informações, tomar decisões. Hoje, nos encontramos em outro extremo em que, a abundância delas é tamanha, que nosso trabalho é discernir e selecionar o que desejamos que, de fato, se transforme em conhecimento.

Momentos de aprendizagem podem ocorrer em diferentes contextos, por diferentes motivações. Para isso é preciso estar ativo e consciente. Ter flexibilidade, abertura às novas ideias, diversidade, habilidade em criar e compartilhar. Compreender que uma equipe é maior do que a soma de seus membros. Que não é preciso “reinventar a roda”, mas aproveitar tudo que já foi descoberto sobre ela, aprender um pouco mais e torná-la ainda melhor. E nós temos essa capacidade. Nossa perspectiva importa, nossa experiência agrega.

Sejamos inspirados pelos desafios, adaptáveis a novas realidades, desejosos em fazer a diferença e, inevitavelmente, a aprendizagem baterá à nossa porta.

Se gostou do tema e quer refletir um pouco mais sobre ele, preparei uma playlist que pode ajudar nesse sentido. Vai ser um prazer compartilhar com você.

Para finalizar o curso, realize as atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Obrigada pela companhia até aqui. Siga aprendendo! : )