
UNIDADE I
POR QUE APRENDER AO LONGO DA VIDA?
Nesta unidade iremos contextualizar o aprendizado como fator de desenvolvimento e reconhecer sua importância para adaptação a mudanças.
APRENDIZAGEM COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO
Você já percebeu como os bebês e crianças pequenas aprendem muito rápido, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento da linguagem?
E que quando as comparamos a crianças de 8 a 10 anos, parece haver grandes diferenças em sua capacidade de pensar logicamente sobre o mundo concreto ao seu redor, e até de movimentar o corpo? O menino de 5 anos que antes ficava olhando para a rede da trave, de costas para o campo, com 8 anos passa a ser o mais atento dos jogadores, lutando com todas as forças para roubar a bola.
Os adolescentes, por sua vez, desenvolvem a capacidade de pensar logicamente sobre o mundo abstrato e começam a gostar de debater com os adultos sobre questões diversas para exercitar suas habilidades cognitivas recém adquiridas. Começam também a se relacionar romanticamente e precisam aprender, além das leis da Física e da Química, coisas práticas como dançar, namorar…
A sabedoria se desenvolve a partir de nossas experiências e perpassa toda a vida adulta. Quem, na faixa dos 40 anos, trocaria tudo o que sabe pela aparência que tinha aos 20? Conheço poucos.
Podemos chamar de desenvolvimento humano todas as transformações físicas, cognitivas e psicossociais às quais os indivíduos são submetidos ao longo da vida. O desenvolvimento físico envolve crescimento e alterações no corpo e no cérebro, nos sentidos, nas habilidades motoras e na saúde e bem-estar. O desenvolvimento cognitivo envolve aprendizado, entendimento, atenção, memória, linguagem, pensamento, raciocínio e criatividade. O desenvolvimento psicossocial, por sua vez, envolve emoções, personalidade, auto-estima e relações sociais.
Como você já deve ter notado, os domínios físico, cognitivo e psicossocial estão frequentemente inter-relacionados, e todos eles são influenciados pela aprendizagem.
APRENDIZAGEM X TRABALHO

Desde muito cedo, crianças e jovens são levados a pensar no que farão no futuro. A escolha da faculdade, após uma série de testes vocacionais, por muito tempo foi suficiente para definir a profissão que seria seguida por “toda a vida”. Muita coisa mudou.
No Brasil, as pessoas trabalham uma média de 30 anos até se aposentar. Ao longo de sua vida profissional, uma grande diversidade de competências são requeridas desses trabalhadores, seja porque eles mudam de profissão, seja porque o trabalho se transforma, seja porque o mundo evolui. Para se adaptar a essa transformação e desenvolver competências que garantam a sobrevivência no de trabalho, é preciso crescer, desenvolver-se, reiventar-se. E é aí que entra a aprendizagem.
Além de agregar ao profissional que aprende, o conhecimento e a aquisição de novas competências são elementos fundamentais para garantir a vantagem competitiva das organizações. As mudanças econômicas, sociais e culturais experimentadas pelo mercado de trabalho têm contribuído para destacar o papel central desempenhado pelo processo de aprendizagem no desenvolvimento de carreira individual e no sucesso organizacional.
Além disso, nos últimos anos, o volume de informações disponibilizadas com o advento da internet e a facilidade de interação trazida pelas ferramentas de tecnologia da informação e comunicação (TIC) potencializaram as possibilidades de geração, comunicação e compartilhamento de conhecimento. Isso tem facilitado sobremaneira a ocorrência da aprendizagem e caracterizado esta época como a chamada Era do Conhecimento.
Para acompanhar as rápidas mudanças em curso é de extrema relevância que os profissionais atuais e do futuro estejam predispostos e aptos a adquirir novas competências, sejam flexíveis e criativos e se adaptem às novas realidades. A aprendizagem contínua, também chamada de aprendizagem ao longo da vida, torna-se, portanto, condição fundamental para a inserção dos indivíduos na sociedade, não só como trabalhadores e consumidores, mas como cidadãos.
Diante de tudo isso, o indivíduo tem sido, como nunca, o verdadeiro protagonista do que aprende, já que com tantas informações e ferramentas disponíveis precisa cada vez menos que alguém direcione a sua formação. Nessa nova era, a curiosidade e a busca pela solução de problemas passam a ser os guias para adquirir conhecimentos. Assim, temos um novo tipo de profissional se formando: um trabalhador com múltiplas competências, que sabe combinar os conhecimentos que são ofertados por meio de eventos instrucionais com os conhecimentos que busca de maneira auto-direcionada, em função das demandas do seu trabalho e de seus desafios cotidianos.
O FUTURO DO TRABALHO
Veja esse episódio do Canal Futura sobre o Futuro do Trabalho, com o professor Ronaldo Lemos, e reflita um pouco mais sobre como a forma como trabalhamos mudou através da internet.
APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA OU LIFELONG LEARNING
A aprendizagem auto-dirigida, embora sempre tenha existido, está passando por um momento de revalorização no contexto atual. Literatura sobre o tema aponta que essa maneira informal de aprender responde por aproximadamente 75% de tudo que é aprendido no trabalho. Na atual conjuntura, houve um aumento considerável do chamado auto-estudo, da experimentação e da aprendizagem informal, que podem ocorrer em complemento ou substituindo a aprendizagem formal.
A aprendizagem ao longo da vida, por sua vez, se refere a busca “contínua, voluntária e auto-motivada” pela atualização conhecimento, seja em âmbito profissional, acadêmico ou pessoal. Do ponto de vista desta abordagem, cada pessoa é considerada dona do seu processo de aprendizagem.
Para torná-la real e factível, deve haver, no entanto, um desprendimento da educação formal e o reconhecimento de que o aprendizado não se limita à infância, adolescência ou início da vida adulta de uma pessoa – ele pode ocorrer ao longo de uma trajetória e em uma variedade enorme de situações.
Para isso podemos contar com diversas alternativas, como microcertificações, aprendizagem em redes sociais e até mesmo o uso de plataformas suportadas por Inteligência Artificial para facilitar o acesso ao conteúdo e trazer novas experiências.
As organizações e unidades que desejam viabilizar essa prática devem fomentar uma cultura de aprendizagem, suportar as pessoas com uma boa curadoria que direcionará às melhores fontes de conteúdo e, por fim, prover um contexto de aplicação daquele conteúdo.
OS 4 PILARES DA EDUCAÇÃO
Em 1996, Jacques Delors, em um discurso para a Comissão Internacional sobre Educação, identificou 4 pilares que deveriam orientar a educação no século XXI.
• aprender a conhecer
• aprender a fazer
• aprender a conviver
• aprender a ser
O discurso original, direcionado a educadores e educandos, traz importantes lições para todos aqueles que se reconhecem como aprendizes ao longo da vida. No vídeo a seguir é possível identificar como esses entendimentos podem ser aplicados à realidade das organizações.